11 de abr. de 2023

Amigumores coelhinhos






Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
 Entender é sempre limitado.

 Mas não entender pode não ter fronteiras.
 Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.

 Não entender, do modo como falo, é um dom.
 Não entender, mas não como um simples de espírito.

 O bom é ser inteligente e não entender.
 É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.

 É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
 Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.

 Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

                                                             Clarice Lispector

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