5 de ago. de 2023

Alzheimer recolhendo os pedaços.




Voltar para casa
“Tanto faz o dia em que estamos, mamãe me pergunta o tempo todo que dia é esse. Ela está vivendo em um tempo fora do tempo, em um espaço quase sem lembranças. Por mais que procure algo familiar aqui na minha casa, ela não o encontra, quer as amigas, o cheiro de fumaça de caminhão, o barulho do escapamento, este lugar não cabe no coração dela. É como se flutuasse acima do mundo real e se protegesse de tudo com esse manto de insanidade.
Ela tenta se agarrar às lembranças das avós, dos irmãos quando eram crianças, na tentativa de resgatar a mulher que ela está perdendo.”
(Alzheimer diário do esquecimento)

Meus pais pediam insistentemente, para eu levá-los de volta para casa.
Papai nunca saiu de sua casa, mas a casa saiu dele; mamãe morava comigo, mas nunca saiu daquela casa, que ela sonhava retornar.
Aos poucos eu fui entendendo o que significava “voltar para casa”. Eles querem resgatar a casa que um dia abrigou Felicidade, na verdade eles queriam voltar para aquela Felicidade.
Não era a casa de tijolos e portas, janelas e piso rangendo. Era a casa que abrigava o barulho das crianças brincando; o cheiro de café e o gosto de bolo de fubá; o perfume do travesseiro, que guardava seus segredos; o cheiro do bife que só mamãe sabia preparar; o perfume do dia de limpeza e o cheiro da pipoca.
A casa era a maçaneta da porta rangendo, quando papai voltava do trabalho; ou o pano de chão sobre o tapete, que mamãe insistia em colocar para manter o tapete limpo.
A casa para onde eles querem voltar é feita dos detalhes da torneira pingando, que papai adorava consertar; do batente arranhado pelas escaladas das crianças inquietas; é a casa que abrigou o sonho de família, de felicidade, de prosperidade; a casa paga em muitas prestações, e cada uma delas tinha um gosto de vitória…
Eles querem morar naquela felicidade, e eu também."
Míriam Morata - trecho de Alzheimer recolhendo os pedaços

4 de ago. de 2023

Sextou... ótimo final de semana.

Osho e crochê.


 
 Lindo trabalho. Créditos a artesã nas imagens

"O rio passa ao lado de uma árvore, cumprimenta-a, alimenta-a, dá-lhe água... e vai em frente, dançando. Ele não se prende à árvore.

A árvore deixa cair suas flores sobre o rio em profunda gratidão,

e o rio segue em frente. O vento chega, dainça ao redor da árvore e segue em frente.

E a árvore empresta o seu perfume ao vento... Se a humanidade crescesse,

amadurecesse, essa seria a maneira de amar."

Osho

3 de jul. de 2023

Descanse




Não lute mais
Descanse
Não dê força para seus inimigos
Vença-os com o perdão
Não cultive a impaciência
Vença-a com a segurança
Não de lapide a paz dos outros
Coopere com o silêncio
Não se afaste do seu coração
Una-se a si mesmo
Não dê trelas aos problemas
Vença-os com a luz interior
Não coopere com as críticas
Supere-as com seu desprezo
Não se deixe vitimar
Assuma sua liberdade de escolha
O bem é saber
que o único meio de vencer
É usar a inteligência
com compaixão
Por isso não lute mais
Descanse 

(Conserto para uma alma só)  livro autoria Luiz Gasparetto

26 de jun. de 2023

Arrume a casa.




Arrume a casa. 
Troque os lençóis da cama. Enfeite a casa. 
Coloque roupas coloridas. Abra a porta. 
Deixe o sol entrar. 
Despacha a tristeza. 
Convide a alegria. 
Entre no mundo. 
Desafie o acaso. Repita a rima. 
Descarte as ilusões. Sele a paz com a saudade.
 Enfrente a chuva. 
Não perca tempo. 
Seja breve. 
A vida é curta e o mundo não é grande. 
A história é sua, o tempo também e não aguarde o melhor que sempre está por vir. 
Acenda a luz. 
Clareie a sua volta e aproveite para viver.” 

 Ita Portugal

18 de abr. de 2023

Centro de mesa rosas em crochê file.














Lençol sujo


"Um casal, recém casados, mudou-se para um bairro muito tranquilo. a primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou através da janela em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido

- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal!

Provavelmente está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

O marido observou calado. Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido:

- Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal. Passado um mês a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis brancos, alvissimamente brancos, sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:

- Veja ! Ela aprendeu a lavar as roupas, será que a outra vizinha ensinou !? Porque , não fui eu que a ensinei.

O marido calmamente respondeu:

- Não, é que hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!

E assim é. Tudo depende da janela através da qual observamos os fatos. Antes de criticar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir; verifique seus próprios defeitos e limitações. Devemos olhar, antes de tudo, para nossa própria casa, para dentro de nós mesmos.

Só assim poderemos ter real noção do real valor de nossos amigos. Lave sua vidraça. Abra sua janela."


- Autor desconhecido

11 de abr. de 2023

Eu e meus botões


 

Amigumores coelhinhos






Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
 Entender é sempre limitado.

 Mas não entender pode não ter fronteiras.
 Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.

 Não entender, do modo como falo, é um dom.
 Não entender, mas não como um simples de espírito.

 O bom é ser inteligente e não entender.
 É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.

 É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
 Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.

 Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

                                                             Clarice Lispector