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25 de nov. de 2025

Quando o coração compreende...


Sou solidão e companhia
De mim própria 
Hoje e todos os dias...
Já fui riso,conversa feita fio enrolado em meada  grande e apertada.
Cozinheira para mil gentes.
Lavadeira de mil roupas.
Hoje sou  pássaro  que pouco canta
Com voos rasos e cansados.
Tenho por companhia um gato
Amigo do disparate, falante de miar fino...
Entendedor de adivinho,companheiro e bom vizinho.
Sabe de cor o que faço , sem ter relógio ou livro,mas é esperto e um querido,que me diz...gosto de ti,sem sequer saber falar.
Salta-me para o colo a qualquer hora, mesmo sem eu o chamar.
Sou solidão e companhia...agora com tempos de pequenas alegrias. 
Mas, neste passar de tempo lento,sou solidão, gratidão, e tenho por companheiro...um gato de estimação, que não me diz palavrão,e me abraça, e me estima,com toda a dedicação...
A quem chamo...coração. 

Autora do texto,Graça Cardoso, uma Alentejana em Lisboa .

Imagem/Internet( autor desconhecido)

16 de mai. de 2025

Neruda-se


NERUDA-SE

"Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio ou flechas de cravos que propagam o fogo: Te amo como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma. Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, E graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascendeu da terra. Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho: Assim te amo porque não sei amar de outra maneira. Senão assim deste modo que não sou nem és, tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha, tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho. Antes de amar-te, amor, nada era meu: Vacilei pelas ruas e as coisas: Nada contava nem tinha nome: O mundo era do ar que esperava. E conheci salões cinzentos, túneis habitados pela lua, Hangares cruéis que se dependiam, perguntas que insistiam na areia. Tudo estava vazio, morto e mudo, caído, abandonado, decaído, tudo era inalianavelmente alheio, tudo era dos outros e de ninguém, Até que tua beleza e tua pobreza de dádivas encheram o outono.
" A Dança, Pablo Neruda In Cem Sonetos de Amor"